Sobre a autora



Acho que essa imagem me representa bem. Sou de peixes e tenho muito orgulho disso, mesmo que você não acredite em signos. Talvez seja só coincidência. Talvez seja só minha personalidade. Mas aprendendo sobre meu signo eu aprendi sobre mim mesma.

Eu sinto o mundo. Sinto quando vejo fumaça de mais uma queimada. Sinto quando vejo todas aquelas fabricas poluindo o ar. Sinto quando vejo todos os animais morrendo e sendo punidos por nossos erros. Eu sinto muito.
Sei quando estou depressiva, sei quando estou nervosa, sei de todas as minhas mudanças de humor pois tudo é muito forte e muito perceptível, quase palpável.
Perdido é sim uma direção. É até engraçado no quanto isso se aplica a mim. Estou sempre perdida, tanto na rua quanto em meus pensamentos. Sempre perdida em mundo só meu, que criei para poder me perder quando esse mundo em que estamos me deixa triste. E é por causa desse meu mundo que eu me perco na rua as vezes.

Amo muitas coisas desse mundo, apesar de ter criado um para poder fugir. Há muita beleza e muita bondade, mesmo que difícil de se encontrar. Mas eu sei que há, pois eu vejo todo dia quando o sol se põe. Quando um pessoa ajuda um animal abandonado ou uma pessoa passando fome. Ver essas coisas me alegra e me faz ter esperança de que tudo vai melhorar.


Essa é a Pandora. Ela é um dos motivos que me faz ter fé e alegria todos os dias.
Conheci a Pandora quando ela teve sua 2º cria. Ela teve 10 filhotes e estava em um terreno ao lado da casa do meu avô. A senhora, dona do terreno, me disse que estava ajudando uma moça a cuidar da Pandora e dos filhotes e que quase todos já estavam adotados, tinha ainda 3 machos e a Pandora. Depois que minha outra cachorra morreu, minha mãe disse que não queria mais cachorro em casa, mas eu e minha irma queríamos. Levamos ela pra ver os filhotes, mas ela não queria nenhum macho, então, para nossa surpresa, ela disse para a mulher " se ninguém adotar a Pandora, a gente fica com ela". Ainda me lembro dessas palavras, fiquei muito feliz naquele dia. Agora era só esperar os filhotes desmamarem que eu teria outra cachorra.
Mas a alegria não durou muito. Quando fomos visita-la na semana seguinte Pandora e seus filhotes estavam doente, todos estavam com cinomose. Um doença horrível que deixa secreção nos olhos, focinho e em outras partes do corpo. Por causa dessa secreção os filhotes não conseguiam respirar e pararam de comer, mesmo com remédios e cuidados diários, eles não resistiram. Todos os 10 morreram. Quando a Pandora chegou em casa ela estava fraca, não comia, não queria sair da casinha, só chorava e ficava deitada. Passei algumas noites ao seu lado para que ela não chorasse. Eu, minha mãe e irmã colocávamos ração na mão para tentar fazer ela comer pelo menos um pouco. Foi muito difícil.
Depois de algumas semanas ela começou a melhorar, já estava comendo e tinha parado de chorar a noite. Ainda me emociono quando lembro da primeira vez em que ela brincou comigo e com a minha irmã. Foi naquele momento que soube, todo o carinho e amor que demos a ela valeu a pena.
Hoje a Pandora está feliz, se tornou uma cachorrinha muito sapeca e muito amorosa.
Amo a história dela, mesmo sendo muito triste. Ela mostra que os animais sentem pela perda de seu filhotes, eles amam, sofrem, mas superam e começam de novo.